terça-feira, 8 de março de 2022
domingo, 27 de fevereiro de 2022
27 DE FEVEREIRO / MORRE ZENO CARDOSO NUNES
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
22 DE FEVEREIRO - NASCE AURELIANO
Num dia 22 de fevereiro, do ano de 1845, David Canabarro promove uma reunião do Conselho dos Generais Farroupilhas, em Ponche Verde, Dom Pedrito, para tratar do prosseguimento ou não da Guerra dos Farrapos quando se resolve pelo fim da contenda.
Também num dia 22 de fevereiro, do ano de 1904, nascia em Quarai o grande Poeta Juca Ruivo e neste dia, no ano de 1983, morria, em Porto Alegre, o também poeta Pery de Castro, fundador e Presidente da Estância da Poesia Crioula.
Outro poeta falecido neste dia e mês, no ano de 1959, foi Aureliano de Figueiredo Pinto, indiscutivelmente, um dos maiores vates nativistas de nossa terra, de todos os tempos.
Com seu vigoroso regionalismo, o nosso idioma, longe de empobrecer-se, adquiriu novas e cintilantes riquezas. Seus poemas, nascidos das vivências campeiras, com invernos, tropeadas, rondas, noites longas, chimarrão, e outros temas rudes e belos. São sempre, impregnados de comovente humanismo e iluminados pelo sol de sua fulgurante cultura.
A poesia de Aureliano Figueiredo Pinto, profundamente ligada a terra, tem uma extraordinária densidade humana, assumindo sua temática, em muitos passos, o sentido de um canto geral que transcende o mero regionalismo. Poucos livros refletem com mais autenticidade o homem e a paisagem do Rio Grande do que estes “Romances de Estância e Querência”.
Aureliano de Figueiredo Pinto nasceu em 1º de agosto de 1898, na fazenda São Domingos, município de Tupanciretã, filho de Domingos José Pinto e de Marfisa Figueiredo Pinto. Exerceu o ofício de médico, mas por essência foi poeta e escritor.
O processo de alfabetização inicia-se em 1904 quando recebeu aulas de sua mãe, quatro anos depois no colégio Santa Maria em Santa Maria, seguiu seus estudos, de onde enviou a sua mãe seus primeiros poemas. Aureliano inicia ali seu martírio, sua ressurreição e sua glória: escrever.
Aos 17 anos, nasceu uma grande amizade com Antero Marques. Antero seria, pela vida afora companheiro, crítico e confidente a dividir aulas, pensões, ruas, e uma infinidade de cartas. Iniciam as discussões políticas, literárias e filosóficas, que os levariam a participar da Revolução de 30.
Passou a residir em Porto Alegre 3 anos mais tarde, onde prepara o vestibular para Direito, que trocaria mais tarde pela Medicina. Os poemas escritos em meio às anotações escolares antecediam sua estreia com poemas publicados no jornal Correio do Povo, com pseudônimo e nome próprio e nas revistas Kodak e A Máscara, um ano mais tarde. Amigos passam a classificar seus poemas entre as correntes simbolista e parnasiana. Entre as anotações de aula, Aureliano escreve o poema Gaudério, que marcaria sua vinculação com o nativismo. Anos depois, Gaudério e Toada de Ronda seriam musicados por João Fischer. Segundo testemunhas de Antero Marques, Raul Bopp, entusiasmado com a produção do poeta diria que “Bilac assinaria estes versos” O poema Toada de Ronda é considerado o marco inicial da poesia nativista no Rio Grande do Sul.
Em 1924, parte para o Rio de Janeiro estudar Medicina, lá cursa o primeiro e o segundo ano e retorna a Porto Alegre. Lê Paja Brava, do Viejo Pancho, que marcará sua produção artística, e também livros de poetas regionalistas uruguaios e argentinos, que o influencia a escrever poemas em espanhol. Em 1926, volta aos estudos de Medicina no Rio de Janeiro, mas no mesmo ano retorna a Porto Alegre. Somente em 1931, conclui o curso de Medicina, e logo abre seu consultório em Santiago. Abre o coração aos campos e aos tipos humanos que o povoam. A partir dali o trabalho de médico rouba-lhe o tempo de leitura e criação. Passa a fazer viagens ao interior do município, atendendo a chamados médicos e fica com os peões tomando mate e ouvindo causos.
Três anos mais tarde por falta de dinheiro dos clientes para compra de remédio, suas práticas médicas são interrompidas. Aureliano cria um código que é colocado nas receitas, para que fossem debitadas para alguns de seus amigos. Nessa época, seus poemas são datilografados por Túlio Piva, para quem produz textos para serem lidos na rádio local.
Em 1937, já com quase 40 anos, passa a dirigir o Posto de Higiene de Santiago. Anos mais tarde, seria o fundador do Hospital de Caridade. Casa com Zilah Lopes, em 29 de dezembro de 1938 com que tem 3 filhos.
Em 1941, troca Santiago por Porto Alegre, assume a subchefia da Casa Civil do interventor Cordeiro de Farias. Fica poucos meses no cargo e retorna a Santiago.
Em 1956 inicia a reunir e selecionar seus poemas, espalhados entre amigos, para publicá-los em livros. Seu filho José Antônio vai à Editora Globo e ali espera até ter em mãos dez volumes de Romances de Estância e Querência – Marcas do Tempo o primeiro livro publicado de Aureliano de Figueiredo Pinto. Aureliano vem a falecer em 22 de fevereiro de 1959 com câncer.
Em 1963, é publicado “Ad Sodalibus” pela Livraria Sulina, seu segundo livro de poesias Romances de Estância e Querência – Armorial de Estância e Outros Poemas. Em 1974, é publicada pela Editora Movimento, a novela Memórias do Coronel Falcão. Em 1975, Noel Guarany recebe autorização dos familiares do poeta para musicar Bisneto de Farroupilha e Canto do Guri Campeiro.
domingo, 20 de fevereiro de 2022
ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA
POETAS FUNDADORES
ADILZA LAYDNER DE CASTRO
Poetisa lírica e regionalista, primorosa sonetista, trovadora, contista, musicista e cantora.
Nome Literário: Nilza Castro
Nasceu em Santa Maria, RS, 23/04/1911
Faleceu em Porto Alegre, RS, 1°/04/2002
Era casada com a Poeta Pery de Castro e eram considerados, ela, a Matriarca e ele, o Patriarca da Estância da Poesia Crioula. A entidade organiza um Concurso Nacional de Sonetos que leva o seu nome.
Pertenceu a diversas entidades culturais, entre as quais: União Brasileira de Trovadores, Grêmio Literário Castro Alves, Associação Santa Mariense de Letras e Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB).
É autora de uma série de músicas e letras regionalistas.
Colaborou no Correio do Povo e em vários jornais e revistas do País.
Tem participações em antologias e coletâneas de entidades culturais e citações em obras literárias e na imprensa.
OBRAS: Na Sombra da Ramada – Poesia (1987); Raqueteada de Trovas – Harmonia de Dois Cantos, em parceria com Adines Gavião (1996).
“ESTÂNCIA DA POESIA CRIOULA
Recordo aquela noite de invernia,
de encontros sorridentes e de abraços,
voto e presença de uma Academia
já ensaiando os primeiros passos.
Em cada coração que se expandia,
acendendo luzeiros nos espaços,
jorrava, aos borbotões, tema e poesia
na cadência pampeana dos compassos.
E foram desfilando os pajadores,
artífices do verso, contadores
das nossas lendas, das consagrações...
E a Estância da Poesia, enriquecida,
cultuando os ideais da arremetida,
gravou nas letras as nossas tradições!
Colaboração: Poeta Cândido Brasil
sábado, 19 de fevereiro de 2022
REPONTANDO DATAS
A POESIA DE AMÂNDIO BICCA
Hoje a Estância da Poesia Crioula homenageia um de seus fundadores, o poeta regionalista Amândio Bicca Quintana, nascido em Las Piedras (Canelones), Uruguai, em 07 de setembro de 1912 e falecido em Porto Alegre no dia 19 de fevereiro de 1990.
SAUDADE
(Autor: Amândio Bicca Quintana)
Saudade é armada de laço
que aos poucos vai apertando,
enquanto a gente sonhando
com a liberdade passada,
não sente o aperto da armada
que aos poucos nos vai matando.
É tapera abandonada
no fundo de algum rincão.
Saudade é água passada
que deixa valos no chão,
é cruz de angico cravada
no alto de um coxilhão.
Saudade é coice certeiro
do tordilho de confiança,
cornada de vaca mansa,
punhalada traiçoeira
que embora a gente não queira
deixa a marca por lembrança.
A brasita que se esconde
entre as cinzas do fogão
conserva quente o galpão
onde o passado se apeia.
Saudade é brasa vermelha
nas cinzas do coração.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
EPC PASSA A SER PRODUTORA CULTURAL
Um excelente notícia
para os integrantes da Estância da Poesia Crioula e para os amantes da arte
poética em geral. Ontem, dia 16, a entidade foi inscrita como produtora
cultural no sistema Pró Cultura da Secretaria de Cultura do RS.
Num esforço de nosso
Presidente Maxsoel Bastos de Freitas a EPC passará a ser produtora de seus
próprios eventos e projetos com possibilidade de angariar recursos Públicos
como o FAC, por exemplo, que no momento encontra-se com editais abertos.
"Vamos, pela primeira vez, tentar subsidiar a nossa antologia",
informou o Presidente.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Cyro Gavião Esse petiço troncho que, ao passito, Vem chegando co'a pipa, lá da fonte, Foi quebra noutros tempos... foi bonito, Foi mestre, num rodeio e num reponte. Mas, hoje, nem o relho, nem o grito Da gurizada já lhe altera a fronte Indiferente a tudo, ao infinito, A mais um dia que se lhe desconte. Até dá pena ver esse sotreta, Trocando perna, ao lado da carreta Num caminhar tristonho, passo a passo... Petiço velho,... jóia do meu pago! Saudade amarga que, comigo, trago, Espera,...qu'eu também sinto cansaço. |
sábado, 29 de janeiro de 2022
GAÚCHO
Fragmentos do poema GAÚCHO de Antônio Augusto Fagundes
Os moços de Porto Alegre
- escritores, jornalistas,
aqueles que sabem tudo,
ou pensam que sabem tudo...
disseram que já morreste.
Ou então que estás de a pé,
sem cavalo, sem bombacha,
sem bota, espora ou chapéu,
sem comida e sem estudo.
Moços da voz de veludo
e máquinas de escrever
produzidos no estrangeiro
dizem que tu, companheiro,
morreste ou estás mui mal
porque o êxodo rural
te atirou pelas sarjetas
sujo de pó e de barro
catando a toa cigarro
nos becos da capital...
E no entanto, estás vivo!
Estás vivo e trabalhando
e produzindo o que comem
esses moços do jornal.
Quem é gaúcho, afinal?
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
JOÃO DA CUNHA VARGAS
João da Cunha Vargas
nasceu em 28/12/1900 e não foi além das primeiras letras e, como ele mesmo
costumava dizer, não era ‘muito manso de livros’. Certamente aprendeu os
segredos que nos conta ao ranger dos bastos e no tranco das tropeadas, talvez
por isso sua poesia mais que repete o que o povo diz, ela tem uma inscrição
pessoal poucas vezes vista.
DEIXANDO O PAGO
Alcei
a perna no pingo
E
saí sem rumo certo
Olhei
o pampa deserto
E
o céu fincado no chão
Troquei
as rédeas de mão
Mudei
o pala de braço
E
vi a lua no espaço
Clareando
todo o rincão.
E
a trotezito no mais
Fui
aumentando a distância
Deixar
o rancho da infância
Coberto
pela neblina
Nunca
pensei que minha sina
Fosse
andar longe do pago
E
trago na boca o amargo
Dum
doce beijo de china.
Sempre
gostei da morena
É
a minha cor predileta
Da
carreira em cancha reta
Dum
truco numa carona
Dum
churrasco de mamona
Na
sombra do arvoredo
Onde
se oculta o segredo
Num
teclado de cordeona.
Cruzo
a última cancela
Do
campo pro corredor
E
sinto um perfume de flor
Que
brotou na primavera
À
noite, linda que era
Banhada
pelo luar
Tive
ganas de chorar
Ao
ver meu rancho tapera.
Como
é linda a liberdade
Sobre
o lombo do cavalo
E
ouvir o canto do galo
Anunciando
a madrugada
Dormir
na beira da estrada
Num
sono largo e sereno
E
ver que o mundo é pequeno
E
que a vida não vale nada.
O
pingo tranqueava largo
Na
direção de um bolicho
Onde
se ouvia o cochicho
De
uma cordeona acordada
Era
linda a madrugada
A
estrela d'alva saía
No
rastro das três marias
Na
volta grande da estrada.
Era
um baile, um casamento
Quem
sabe algum batizado
Eu
não era convidado
Mas
tava ali de cruzada
Bolicho
em beira de estrada
Sempre
tem um índio vago
Cachaça
pra tomar um trago
Carpeta
pra uma carteada.
Falam
muito no destino
Até
nem sei se acredito
Eu
fui criado solito
Mas
sempre bem prevenido
Índio
do queixo torcido
Que
se amansou na experiência
Eu
vou voltar pra querência
Lugar
onde fui parido.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
HOJE É DIA DOS SANTOS REIS
Na saída, após muita cantoria, os cantores e os familiares ficam de alma limpa pela visita que representa a presença do menino Jesus em seu lar.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2021
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
O NATAL NA VISÃO DE PAIXÃO CÔRTES
A figura do velhinho surgiu no Rio Grande do Sul após a 1ª Guerra Mundial, baseada em um santo (São Clauss para os nórdicos europeus) da Igreja Católica. 'Foi criado pelo desenhista Tomas Nast, que se inspirou em um poema de seu compatriota norte-americano Clemente Clark Moore.' Dizia Paixão Côrtes: a indústria comercializa e profaniza essa figura. 'Nast deu-lhe forma, traços e cores, restaurou a cor vermelha da roupa do velho bispo Nicolau e acrescentou uma capa também rubra. O caricaturista inventou um gorro vermelho e, mais tarde, a roupagem de inverno foi simplificada para um gibão, uma espécie de calça abombachada.
De acordo com o folclorista, os organizadores dos eventos precisam valorizar o Natal tipicamente gauchesco, abandonando pinheiros europeus, trenós e roupas de lã. 'O verdadeiro Natal Gaúcho é uma festa da família, onde se comemora o nascimento de Cristo diante de um presépio, representativamente, com a presença do Menino Jesus na manjedoura, com burrico, vaquinha, ovelha, cânticos fundamentados em mensagens de um cristianismo puro e singelo, anunciando a chegada dos Reis Magos', ensina o pesquisador.
Paixão criticava nomes utilizados em algumas encenações como 'Guri de Nazaré' ou 'Prenda do Céu'. Querem agauchar a religião'. Sempre que se aproxima o fim do ano, vejo entristecido que a querência vai se deixando envolver, mais pelas fantasias das luzes da cidade, pela ambição de um certo comércio, sedento de grandes lucros. Refiro-me ao PAPAI NOEL e ao NATAL.
Aliás, da América Latina, é, mais frequente no Brasil, que aparece a figura, misto de "Lucifer-santo", atemorizando as crianças travessas e faltosas, prometendo-lhes varas de marmelo e, quase ao mesmo tempo, com um saco de brinquedos às costas, estende a mão aos guris comportados, oferecendo-lhes "bondosamente" presentes. Na maioria dos demais países sul-americanos, não encontramos Papai Noel distribuindo presentes no Natal, como acontece em nosso país.
A verdadeira tradição natalina rio-grandense é aquela em que se comemora o dia do nascimento de Cristo, diante de um presépio, com Menino Jesus na manjedoura, com burrico, vaquinha, ovelha, cânticos, anunciando a chegada dos Reis Magos... Este é o verdadeiro NATAL GAÚCHO Festa da família. "Dia de Navidad" como denominam os países de língua espanhola na América do Sul. Qual a razão do renascimento do culto de uma árvore, tão difundido entre os povos mais primitivos? De onde é, este tipo de pinheiro, estranho ao nosso, que se desenvolve em determinadas regiões do Brasil?
Imaginem só! No mais forte do verão, aqui, um Papai Noel vestido com grossas roupas de lã, capuz, todo respingado de neve, descendo, de botas, de uma chaminé ou sentado em um trenó, puxado por gamos... Velinhas e bolinhas coloridas completam os enfeites das mesas onde são servidas nozes, tâmaras, torrones, chocolates, ameixas secas, passa, etc, alimentos de alto teor calorífico, próprios para o inverno, em pleno clima europeu... Tudo isso num país tropical como o Brasil!!!
Entretanto, tentemos encontrar, na história universal das festividades natalinas, algumas explicações para o surgimento de certos acontecimentos, hoje vividos em muitos rincões do mundo.
O nosso homem do campo desconhece as comemorações do natal à maneira como hoje são usuais nas cidades, como uma árvore de neve, enfeitada, e de presentes ansiosamente esperados, com um Papai Noel atemorizando os guris travessos ou fazendo elogios ao bom filho. Isto não quer dizer que no campo os homens tenham se esquecido das mensagens cristãs de Natal, a entrada do Ano Novo e o Dia de Reis. Se o dia primeiro de janeiro é festivamente assinalado por um churrasco e "ressacas", não menos vibrantes são os festejos de Natal, com os "Ternos de Reis" - grupos musicais que anunciam, de rancho em rancho, de casa em casa, o nascimento do Salvador.
O objetivo desta visita varia de um terno para outro: alguns visam unicamente louvar a memória de Jesus Menino; outro terno visa propiciar aos cantadores uma doce retribuição ao desgaste de suas cordas vocais, através de fartos comes e bebes que os donos da casa nunca se esquecem de oferecer. Finalmente, há aqueles que, oprimidos pelas necessidades materiais que muitas vezes afligem nossos trabalhadores rurais, saem "pedindo os reis", na certeza de que ao menos no campo ainda não se esqueceram de toda as lições de fraternidade que Cristo legou aos nossos homens de bem.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
PADRE PAULO ARIPE, O "POTRILHO".
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
FUNDO DE INVERNADA
(Silvio Aymone Genro)
Fundo de Invernada
Fundo de invernada;
Lugar onde o tempo demora a passar...
Asilo do pago,
Cemitério de ossadas,
Daqueles que esperam sua hora chegar.
Onde os touros velhos
Remoem silêncios
E a solidão se esconde entre os caraguatás...
Os pássaros pousam
No lombo do gado
E até as diferenças convivem em paz.
Fundo de invernada,
Retiro esquecido,
Dos matungos velhos e sem serventia...
Onde a liberdade
É uma conquista inútil
De quem, preso às rédeas, já foi livre um dia.
Que estranho é o destino
Que leva a nós todos,
Pelo mesmo rumo que conduz ao nada...
E ao final da vida,
Bichos e gentes,
Acabam no fundo da mesma invernada.
Quando nosso mundo
Se cansa de nós
E condena todos ao mesmo abandono,
A própria esperança
Envelhece com a idade
E até da saudade não somos mais donos.
Fundo de invernada,
Rumo sem volta,
Onde os calendários negam-se a contar...
E as flores do campo
Enfeitam-se inúteis,
Pra os que já perderam o encanto do olhar.
Universo a parte,
Onde seca a poesia
E a lua no céu é uma lua, somente...
E até os por de sóis
Vão desbotando aos poucos,
Perdendo suas cores de antigamente.
Fundo de invernada,
Final de caminho,
Lugar onde cresce silêncio e capim...
Exílio daqueles
Que ficam sozinhos,
Último pouso antes do fim.
domingo, 19 de dezembro de 2021
OS PADRES POETAS
Como hoje é domingo mas não temos missa presencial, vamos falar um pouco sobre alguns padres versejadores da cultura gaúcha. Os vates sacerdotes. Eu conheci quatro, mas deve ter bem mais. O Padre Paulo Aripe, o Potrilho do Alegrete, o Bispo Dom Luiz Felipe de Nadal, Amadeu Gomes Canellas, ainda entre nós, e o Padre Pedro Luis, autor do livro O Gênio do Pampa, obra que guardo na cabeceira de meu catre. Todos integrantes da Estância da Poesia Crioula.
Durante a fundação da Estância da Poesia Crioula salientou-se pelas intervenções, todas fiéis aos princípios preconizados pela Igreja Católica, e pelas preocupações com a preservação da memória histórica e cultural do Rio Grande do Sul. Tenho do poema O Gênio do Pampa – Poema Gaúcho a terceira Edição (Santa Maria: Livraria Editora Pallotti, s/d), com IMPRIMATUR datado de 25 de abril de 1958.
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No dia 27 de fevereiro de 2011 faleceu o poeta Zeno Cardoso Nunes. Zeno nasceu em 15 de agosto de 1917 sendo natural de São Francisco de...
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POETAS FUNDADORES ADILZA LAYDNER DE CASTRO Poetisa lírica e regionalista, primorosa sonetista, trovadora, contista, musicista e cantora. Nom...





